Um dos princípios que norteiam a proposta humanista e integral do Colégio Cruzeiro é a formação de cidadãos conscientes, capazes de compreender diferentes realidades e estabelecer relações pautadas pelo respeito, pela empatia, pela solidariedade e pela responsabilidade social.
Durante a Viagem de Estudos à Alemanha, essa proposta também atravessa fronteiras. Em 2026, alunos dos seis grupos participaram de atividades de Ação Social em Augsburg, Köln, München, Münster, Stuttgart e Tübingen.
Em cada cidade, encontros com diferentes pessoas, culturas e histórias transformaram o aprendizado em experiência e ampliaram o olhar dos estudantes sobre o mundo.
Trocar experiências também é uma forma de aprender.
No Café Tür an Tür, os alunos conheceram um projeto voltado à integração de refugiados e imigrantes e compartilharam uma tarde de convivência com participantes e voluntários da instituição.
Enquanto parte do grupo participou de um workshop de teatro, outros estudantes se reuniram com refugiados que frequentam encontros de aprendizagem da língua alemã. Houve conversas sobre diferentes culturas e temas da atualidade, além da oportunidade de utilizar o alemão como língua comum entre pessoas com diferentes origens.
Alguns alunos também assumiram a função de baristas, servindo café e chá aos participantes. Ao final, entregaram lembranças trazidas do Brasil.
Para Miguel Arcanjo, a possibilidade de conversar em alemão e compartilhar conhecimentos sobre diferentes realidades tornou a experiência inesquecível.
“Foi uma troca de ideias muito interessante. Com certeza, vou lembrar disso para o resto da minha vida.”
Quando brincar se torna uma linguagem comum.
Em Köln, os alunos visitaram duas instituições da Cruz Vermelha Alemã e participaram de uma miniolimpíada ao lado de crianças refugiadas.
Pintura, boliche, corda, pé de lata e outras brincadeiras formaram um circuito de atividades. A cada estação concluída, as crianças recebiam um carimbo de participação e, ao final, todos compartilharam um momento de confraternização com picolés oferecidos pela instituição.
Para Alice Machado, uma das cenas mais marcantes aconteceu enquanto as crianças pulavam corda ao som de uma brincadeira cantada em português. Elas não compreendiam as palavras, mas acompanhavam os gestos e se divertiam junto aos estudantes.
“Isso me fez pensar como ser criança é uma experiência universal e, principalmente, como ser humano é universal.”
A vivência também colocou o alemão em prática de uma maneira diferente: diante de situações inesperadas, os alunos precisaram encontrar formas de se comunicar, perder o medo de errar e compreender que falar uma língua também significa conseguir estabelecer vínculos.
Conhecer outras histórias para ampliar a própria visão de mundo.
Em München, alunos dos grupos dos cursos BWS e DID visitaram a Cáritas, onde foram recebidos por Christine Torghele-Rüf, responsável pelo setor de Asilo e Imigração, e Pammela Carlin.
Após conhecerem o trabalho realizado pela instituição, seguiram para um espaço que acolhe cerca de 200 famílias refugiadas, provenientes principalmente de países como Síria, Afeganistão, Venezuela, Cuba, Turquia e Paquistão.
Os estudantes percorreram as instalações, convidaram moradores para participar de atividades esportivas e recreativas e, ao final, distribuíram lembranças trazidas do Brasil.
Entre os encontros vividos naquele dia, uma conversa com uma senhora ucraniana emocionou especialmente as alunas Bárbara Herkenhoff, Julia Cajueiro, Júlia Chamarelli, Laura da França e Manuela Duarte. Ao conhecerem um pouco de sua história, compartilharam palavras de acolhimento e abraços.
“Foi um momento de grande troca, que ficará para sempre em nossa memória.”
Representantes da Diretoria da Sociedade de Beneficência Humboldt também participaram das atividades. A presença possibilitou estreitar o relacionamento com instituições alemãs e fortalecer conexões alinhadas à atuação da SBH como ponte entre as culturas brasileira e alemã.
Música, afeto e encontro entre gerações.
Na Cáritas de Münster, os alunos foram recebidos para uma tarde especialmente preparada para o encontro com idosos atendidos pela instituição.
Os estudantes apresentaram três músicas, compartilhando um pouco da cultura e da energia brasileira com o público. Depois, alunos e idosos se reuniram para um café com bolos e tortas, em um momento de conversa e convivência.
Ao final, houve uma troca de lembranças entre os participantes, simbolizando a reciprocidade construída durante a visita.
Para Gustavo Magalhães, "a experiência possibilitou compartilhar aspectos da cultura brasileira por meio da música, da dança e da convivência, ao mesmo tempo em que promoveu aprendizado e troca cultural."
Pequenos gestos podem deixar grandes marcas.
Em Stuttgart, os alunos visitaram a Eichendorff-Schule, escola comunitária localizada no multicultural bairro de Bad Cannstatt. A atividade foi desenvolvida em parceria com a youngcaritas e o Freiwilligenzentrum Caleidoskop, da Caritas Stuttgart.
Recebidos por Juliette Bravo e Regina Himmel, os estudantes participaram de atividades e momentos de convivência com as crianças da escola, criando oportunidades de aproximação entre diferentes culturas e trajetórias.
Um desses encontros ficou especialmente marcado na memória de Maria Eduarda Corrêa. Durante a atividade, uma criança parou, olhou para o grupo e disse:
“Hoje foi o melhor dia da minha vida.”
Para a aluna, aquela frase mostrou como atenção, carinho e tempo podem ter um significado muito maior do que imaginamos.
“Vou levar comigo a certeza de que cada pessoa tem uma história que a gente nem imagina e que pequenas atitudes podem fazer uma diferença gigante.”
Também participaram da atividade lideranças da Sociedade de Beneficência Humboldt e do Colégio Cruzeiro: Ronald Sharp, Diretor Vice-Presidente do Setor Colégio; Pedro Parga, Diretor Administrativo; Ana Paula Ramos, Diretora-Geral Pedagógica; Adriana Sharp, Gerente de Desenvolvimento de Pessoal; Claudia Paiva, Gerente Administrativo-Financeira; Anna Paula Parga, Coordenadora Pedagógica; e Luciane Hentschke, Coordenadora do Projeto de Ação Social da SBH.
A presença do grupo também contribuiu para fortalecer o relacionamento institucional com organizações alemãs comprometidas com o voluntariado, a integração e a responsabilidade social.
Diferentes origens. Uma língua em comum. Muitas histórias para compartilhar.
Na Französische Schule, os alunos do Colégio Cruzeiro participaram de mais um encontro com jovens da Internationale Vorbereitungsklasse, a IVK.
Síria, Afeganistão, Palestina, Turquia, Guiné, Benin, Sri Lanka, Sérvia, Bósnia, Kosovo, Macedônia, Montenegro, Ucrânia, Espanha e Albânia estão entre os países de origem dos jovens ligados à instituição. O grupo também reúne pessoas apátridas e de diferentes etnias.
Por meio de esportes, jogos, oficinas e atividades criativas, os estudantes rapidamente encontraram formas de interagir. Entre partidas de futebol, jogos de Uno e desenhos, havia um elemento capaz de conectar jovens de tantas origens: o alemão.
Para Manuela Alves, a atividade mostrou que diferenças linguísticas não impedem a criação de vínculos.
“Entre partidas de futebol, jogos de Uno e muitos desenhos com giz, percebi que, mesmo falando línguas diferentes, uma brincadeira consegue, em pouco tempo, aproximar pessoas.”
Uma ex-aluna afegã da Französische Schule, que participou do encontro, também registrou o significado daquela tarde. Em mensagem enviada à equipe da escola, contou que aquele havia sido um dos dias mais bonitos para ela e agradeceu pelas pessoas que conheceu e pelo tempo compartilhado com o grupo brasileiro.
Participaram ainda representantes da instituição parceira, entre eles o diretor Ralf Weber, o vice-diretor Chris Von Einem e Tatjana Fessler, representante da cidade na área de Integração.
O encontro marcou a terceira visita de estudantes do Colégio Cruzeiro à Französische Schule e celebrou também quatro anos de colaboração com a IVK, fortalecendo uma parceria construída a partir do diálogo, da integração e da responsabilidade social.
Para os alunos, ficou uma reflexão que atravessa toda a experiência:
“Pensar fora da caixa começa quando escolhemos enxergar além da nossa própria realidade.”